sábado, agosto 28, 2010

Eu sigo sozinha...


Eu hoje, gostaria de dizer palavras boas. Gostaria de fazer versos felizes, que falassem de paz e de harmonia, e que pudessem amenizar o dia... Mas não é
o que sinto. E eu não minto. Eu hoje, gostaria de dizer que a vida é bela... Que tudo vale a pena, que a dor sempre passa... queria que fosse como os outros dias, falar com a melhor amiga, minha confidente, irmã. Mais eu não posso, perdi todas as esperanças de vida e de esperança para um futuro bom. Eu não sei porque estou me lamentando tanto assim, não é a primeira vez que eu perco um amigo, na verdade eu vivo perdendo eles, ja devia estar acostumada com essa dor insuportavel dentro do meu peito... é.. acho que é porque era ela, uma pessoa especial, talvez eu tenha depositado muita esperança em uma pessoa que acabou sendo igual a outra. Que me maxucou e que me fez chorar. Pois é..acabei sozinha e decepcionada..de novo.

Solamente yo.


Sozinha, novamente, talvez seja esse o meu destino, sem amigos, talvez eu tenha que engolir isso e aceitar essa vida, que Ele lá em cima escolheu pra mim. Sei que as lágrimas que caiem pelo meu rosto, um dia, elas não vão cair mais, e a falta que eu sinto de você, vai passar. Passou da outra vez, eu perdi uma vez e acho que posso aguentar perder de novo.

sábado, agosto 21, 2010

Amar é...

Amar é sentir dúvida, não conseguir dormir por pensarte, perder o ar ao som do seu nome, deitar a cabeça no travisseiro e imaginar mil e um possíveis futuros. Vejo a eternidade à nossa frente amor, vamos senti-la, vamos vive-la. Porque perto de você eu fico boba, fico tonta, sorrio o tempo todo, mesmo que queira chorar perto de ti não consigo pois suas palavras tem tal luz que não encontro mais em um lugar qualquer. E agora amor? Acho que estou me apaixonando pelo teu jeito meigo e tuas carícias, pela sua maneira de dizer que me quer. Então venha logo pois sentimento como esse nunca houve igual dentro de mim, é diferente e totalmente normal, e ao mesmo tempo tão bom e confuso, doce e quente; te amar me eleva, me leva aonde nunca fui, me leva além de mim, e eu jamais soube que precisaria tanto de você quanto preciso aqui e agora por todos os días da minha vida. Pode ser loucura mas minha intuição está me dizendo para cair de cabeça, não dá mais pra evitar.
Eu te amo.


Texto por: Lya Puente

terça-feira, agosto 03, 2010

A Gente se Acostuma

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.
A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.

A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.